O fóssil de camarão inédito tem pouco mais de 1cm e mais de 110 milhões de anos, da era Cretácea Fotos Elizangela Santos

O material vem sendo descrito desde 2016 e já foi publicado em revista internacional. O fóssil data de 110 milhões de anos 

Por Elizangela Santos

Pesquisadores da Universidade Regional do Cariri (URCA), apresentaram nesta quinta-feira, 28, no auditório da sede do Geopark Araripe, em Crato, nova espécie de camarão fóssil, encontrado na Bacia do Araripe. O material descrito é da família do Solenoceridae, com apenas dois gêneros fósseis e nove gêneros atuais. A nova espécie recebe a denominação de Prioryncha feitosai, em homenagem ao Padre Neri Feitosa, que detinha interesse particular pelos fósseis da Chapada do Araripe.

A apresentação do novo achado esteve a cargo da mestranda em Bioprospecção Molecular pela URCA, Damares Ribeiro Alencar, que está concluindo sua tese, com estudos sobre o novo camarão, além do coordenador do Laboratório da Paleontologia da URCA, Professor Doutor Álamo Saraiva e o Professor Doutor, Allysson Pinheiro. A publicação do material foi realizada pela revista científica especializada, Zootaxa, da Tailândia.

Os camarões solenocerídeos são de ampla distribuição em todo o mundo e estritamente marinhos. A nova espécie fóssil constitui o primeiro registro de família, gênero e espécie para a Bacia do Araripe.

A pesquisadora destacou aspectos importantes relacionados ao sexto camarão fóssil descrito na área da Bacia do Araripe. O primeiro foi descrito na região em 1991. O material foi encontrado durante escavações realizadas no ano de 2016, na cidade de Trindade, no sertão do Pernambuco. Desde então, passou a ser estudado, trazendo mais um ineditismo para os achados do período Cretáceo, de mais de 110 milhões de anos.

O fóssil conta com aspectos característicos que vão desde dentes postais, a presença de material dorsal, espinho antenal e sulco cervical. Quase todos os gêneros apresentam espinhos dorsais, o que chamou a atenção, no caso do Prioryncha feitosai foi a grande quantidade, em número de 10, presentes também na carapaça do camarão.

Presença marinha

Para o professor e pesquisador da URCA, Allysson Pinheiro, esse novo fóssil de camarão, além de outros achados já encontrados na região, reforçam a presença marinha e até mesmo a incidência de tsunami na área, além da riqueza de crustáceos. Isso, de certa forma, caracteriza fortes incursões marinhas nas áreas da Bacia do Araripe. Um ambiente de água doce submetido à água marinha, e que muitas espécies não vão resistir”, explica ele.

Segundo Allysson, esse é o primeiro achado de Solenoceridae na região, e o mais antigo do mundo encontrado até hoje. O local da descoberta veio a partir de trabalhos de campo, na Bacia do Araripe, onde foram encontrados outros organismos do gênero, típico de água marinha.

A pesquisadora Damares está especialmente trabalhando com camarões fósseis desde a graduação. Dentro desse trabalho, encontrou o pequeno camarão, diferente dos outros. O crustáceo tem um pouco mais de 1cm. O estudo para a descrição do fóssil de camarão foi realizado com a colaboração de pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e Universidade Sagrado Coração (USC).

 

 

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